Posts Tagged ‘pai

14
abr
09

Suco, madeira e arte

  Já faz algum tempo que decidi abolir os sucos de caixinha, apesar da inegável praticidade de tê-los  sempre a mão.

Nada se compara a um suco de goiaba feito da fruta. Os de caixinha, mesmo com todo marketing forçando a barra para parecerem “naturais”, são cheios de acidulantes, conservantes, edulcorantes e outros polissílabos cancerígenos.

O engraçado é que se você puser um copo de suco natural ao lado de um de caixinha, vai ter gente dizendo que o natural é que é artificial. Já viram a cor de um suco de goiaba? Nunca, nem o suco da melhor goiaba do mundo é tão vermelho quanto o seu concorrente pasteurizado.

Refrigerantes de limão então, não levam nem 10% de limão, vale mais a pena perder alguns minutos espremendo um limão e fazer uma limonada. É mais gostoso e mais barato também!

Uma coisa que me irrita são móveis de compensado. Uns são vendidos como “padrão mogno”, outros “padrão cerejeira”, mas não passam de um aglomerado vagabundo, esfarelam-se facilmente e são um prato cheio para os cupins.

Meu pai me deixou poucos objetos de herança. Entre as coisas que me deixou estão uma cômoda e duas cadeiras, que eu acabei por reformar o estofado. A cômoda eu lixei e deixei na sua cor natural.

Ele dizia que aqueles móveis tinham pertencido ao pai dele e que madeira boa não dá cupim.

E é mesmo! Madeira boa é firme e imune à passagem do tempo. Exatamente como a boa arte deve ser!

12
abr
09

Destino

Eu tinha 5 anos de idade quando meu pai me levou pela primeira vez a um jogo de futebol. Morávamos na Urca e  fomos ver Botafogo x Madureira no velho estádio de General Severiano.

Aos 40 do segundo tempo o Botafogo perdia por 2 x 1.  A torcida irritada, vaiava. Meu pai, triste. E eu,  já sabendo que um tempo em futebol tinha 45 minutos, soltei a pequena pérola:

Tem terceiro tempo, né pai?

Não filho, não tem!

Não sei expressar o desespero que tomou conta de mim naquele momento. Tudo que eu queria na vida era que meu pai não ficasse triste.

Então, como se fosse para realizar meu desejo, o Botafogo empatou o jogo.

Não percebi que ali  estavam selando meu destino:

Vai Victor, vai ser botafoguense na vida! 

E desde então, como o meu amado Botafogo, tenho tido um destino árduo, embora , algumas vezes, glorioso!