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12
maio
14

Crônica à moda Twitter!

Polvo manipolado pela midia e cedento pur justisa eh perigozo.
Veijam o cazo da mulé linxada ao cê comfudida cuma seqeiztradôra.
O polvo priciza di iztúdu, cinaum si f

12
out
13

Crônica lusa

Cá me encontro em viagem de trem de Lisboa (onde permaneci por três dias) ao Porto.

Há muito ouço dizer que na Europa a crise grassa. Se é verdade isso,  só posso definir o Brasil como trágico!

Na Terrinha vive-se muito, muito melhor que em Terra Brasilis. Tudo é mais em conta: aluguéis, transportes, alimentação, serviços. O respeito é a tônica. Os carros param quando o pedestre pisa na faixa. As pessoas andam tranquilas a qualquer hora do dia, em todos os lugares. No Rio, é guerra em tempos de Paes.

Não pensem que não amo meu país ou que me iludo. Sei que aqui existem problemas, um inverno longo e escuro e certa falta de calor humano tâo caro aos brazucas.

Mas ando cansado de morar num país onde professores são tratados à pimenta e corruptos a pão-de-ló. Cansado de ser explorado por empresas que cobram as tarifas monegascas e prestam serviços paquistaneses. Cansado dos comerciantes enganadores, dos falsos líderes de seitas que dominam as programações televisivas, dos hospitais que deixam os doentes morrer à míngua. Ando farto de ouvir que Deus é brasileiro (sou ateu, afinal) e que o Brasil é o país do futuro. Um futuro que nâo chega. E não chegará jamais. Pois um povo que não lê, não estuda, nâo questiona, nâo critica, nâo é povo. É arremedo.

Ando cansado de Anitas, de Telós, de Claudinhas, de Naldos, de Globos, Malafaias, Bolsonaros e Felicianos. E das pessoas com sorriso de beato afirmando que tudo há de melhorar.

Como se em minha terra nâo dominassem os urubus, mas os sabiás!

03
ago
13

O rei e o substituto

Na Copa de 62, Amarildo Tavares da Silveira substituiu um contundido Pelé e tornou-se um dos maiores responsáveis pela conquista do bicampeonato mundial.

Há três semanas, seu xará, o morador da Rocinha Amarildo de Souza, 43, que nunca foi rei nem nada, (apenas pedreiro e pai de seis filhos), foi levado como suspeito pela polícia e sumiu, desapareceu, escafedeu-se.

Coincidentemente, as câmeras da UPP e o GPS da viatura policial que o deteve para averiguação, não funcionaram na noite de seu desaparecimento.

As coincidências não param por aqui. Quarenta e três anos atrás, Pelé, ao marcar seu milésimo gol, disse: cuidem das criancinhas do Brasil! Amarildo era, então, um recém-nascido (ou um feto).

Fato é que as criancinhas não foram cuidadas. Principalmente se negras e moradoras das comunidades.

A PM continua agindo como ditadura. E os filhos dos Amarildos continuam chorando.

26
jul
13

the potato is baking

Papa cancela missa em Guaratiba. “Na lama construístes meu altar, mas na lama não poderei rezar.”

Eike Batista já não é mais multibilionário.  Não é mais sequer bilionário. Será este o X da questão? Eike que pobreza!

Cabral continua em queda livre, Paes continua se desculpando, o metrô continua parando. Os ônibus, não! Mas não eram peregrinos? Que peregrinem, ora!

Leblon novamente em polvorosa. E o povo? Não crê que Deus vai ajudar? Parece que não. Será?

Apesar do  frio avassalador, a batata está assando!

17
jul
13

jornada mundial da velhacaria

Segurança voluntário que assassinou garoto negro de 17 anos é absolvido nos EUA. A Justiça agradece. A indústria de armas também.

Egito: o governo cai. Os militares sobem.

Em frente ao Copacabana Palace, a plebe protesta contra a recepção de casamento da neta de Jacob Barata, o “Rei dos ônibus”. A patuleia atira palavras de ordem. Os convidados, cinzeiros.

Papa Francisco (o Novo) chega em breve à Cidade Maravilhosa para aspergir suas bênçãos.

E a Jornada Mundial da Velhacaria continua.

28
jun
13

A manifestação

Presa, talvez, da desesperança crônica que assola alguns poetas, nunca participei de manifestações.

Mas tudo muda.

E dia 20, enrolado em minha bandeira do Brasil, lá fui eu, com um pequeno grupo de amigos, andando pela Presidente Vargas.

Determinada hora, as moças precisaram ir ao banheiro e entramos numa transversal a procurar. Numa pequena vila de casas havia um bar onde alugavam o banheiro para os manifestantes. Enquanto aguardava minhas companheiras, ouvi uma voz atrás de mim: – Fica parado!

Olhei surpreso e um rapaz disse: – Quero tirar uma foto da sua bandeira.

Abri os braços em asas e comentei com uma senhora que bebia cerveja ao meu lado:

– Linda minha bandeira, não acha?

– Sua não. Nossa bandeira! – rebateu sorrindo.

E, por um instante, a desesperança voou longe.

25
maio
13

Noite na praia

Noite de sexta, Praia Vermelha. Águas quebram as rochas eternas. Perfume de musgos e pedras. Bonde tranquilo. Silêncio de eras.

Volto à infância. Mesmo local.

Vento leve. Holofotes distantes. Olhos brilhantes, noite de verão.

Hoje, nem holofotes nem olhos. Somente lembranças.

Escuridão.