Archive for the 'Desabafo' Category

09
abr
09

Banco Surreal

No início do ano tive meu cartão de débito roubado e não consegui cancelá-lo imediamente, o que me causou prejuízos, dores de cabeça e me fez entrar com um processo contra o banco.

Desde então,  zerei minha conta e transferi meus caraminguás (conseguidos a muito custo para publicar o livro) para outro banco.

Logo depois disso, o telemarketing do primeiro banco passou a me infernizar em casa, oferecendo cartões, crédito pré-aprovado e outras benesses que eu, logicamente, recusei.

Mas agora eles extrapolaram. Hoje recebi uma correspondência dizendo que meu  crédito pré- aprovado é de  R$ 28.600,00, muitas vezes superior aos meus parcos rendimentos de funcionário público.

Ou seja, quando eu RETIREI o dinheiro do banco é que passei a ter crédito. Surreal, né? Deve ser por causa dessa política de concessão de crédito absurda que o mundo  está nessa crise econômica!

Anúncios
07
abr
09

O anti-herói

Por conta da minha súbita simpatia por Rubens Barrichelo fiquei a me lembrar dos anti-heróis que eu tanto amava.

Quando eu era moleque não perdia uma tirinha do Calvin, o garoto mimado e egoísta, péssimo aluno e que peitava e apanhava do fortão da turma, mas que volta e meia se mostrava amoroso com seus pais e seu tigre de estimação!

Anos antes, eu vi o único filme de ficcção científica  de que gostei: Blade Runner – O Caçador de Andróides, no qual o policial-mocinho apanhava que nem boi ladrão até ter o merecido final feliz com sua bela replicante.

Quem se lembra do policial do filme Crash, que depois de assediar terrivelmente a mulher de um motorista que estava bêbado, mostra-se um bom filho e, ainda por cima, salva a mesmíssima mulher da morte num ato de extrema coragem.

E o que dizer do quarentão tarado de Beleza Americana, que depois de meses seduzindo a amiga de 15 anos da filha, prefere não tirar a sua virgindade ao perceber que ela é apenas uma criança!

Pois é! Sempre me encantaram a coragem, a bondade e a delicadeza inesperadas. Pequenas ações humanas me emocionam mais que grandes ações heróicas!

07
abr
09

Eu não quero ter um MP3

 Cheguei da academia e vim imediatamente olhar o blog.  Que surpresa! Dezesseis visitas! E eu que não acreditava muito na net tenho que dar meu braço a torcer: funciona mesmo! Dezesseis visitas ao meu blog no primeiro dia de existência é o MÁXIMO!

Na academia o que eu menos faço é malhar, fico mais é lendo revistas e observando o povo. Hoje em dia é quase obrigatório o uso de  MP3, o nosso antigo walkman. Mas agora parece que a coisa tomou outra dimensão. Centenas de músicas no MP3, as pessoas ouvindo aquilo o tempo TODO, me dá uma angústia e eu nunca soube precisar o porquê! Acho que é  a expressão infeliz das pessoas enquanto ouvem o aparelhinho. Parece que elas querem mais é se fechar a qualquer tipo de aproximação do que realmente curtir uma música legal.

No meu trabalho eu tenho um amigo que vive com esse treco no ouvido. Quando a  gente fala alguma coisa tem que repetir pois ele está sempre escutando com um ouvido só, o outro  está escutando música. Ou seja, ele está sempre meio na conversa, meio fora dela.

Num tempo em que tanto se fala em estarmos conectados, às vezes o que a tecnologia faz é afastar as pessoas. Estranho né?

Então, eu que nunca soube nem estou muito afim de aprender a baixar música pela net, já decidi que não vou ter um MP3!

06
abr
09

Frases feitas

Uma das coisas que mais me irrita são as frases feitas, aquelas compradas a granel e usadas da pior maneira possível. Estou em plena crise dos 40 (completados em janeiro último) e já cansei de escutar que “a vida começa aos 40”. Começa a quê, caramba? A degringolar?  Porque no meu caso (e acho que no de muitos também) eu comecei  foi  a ter dores de estômago inexplicáveis, os joelhos começaram a doer, apareceram pedras nos rins  e por aí vai.

A gente vive numa sociedade  que prioriza a juventude como  uma das coisas mais importantes e ainda tem que ficar ouvindo isso? Ninguém merece, né!

A mudança de década (dos 29 para os 30 também rolou uma crise) sempre é uma porrada na boca do meu estômago. Aos 30 anos publiquei meu primeiro livro e agora aos 40 estou terminando o segundo e creio que não foi por acaso. A mudança de década na idade me  faz repensar e lembrar  fatos  que mexeram comigo e  só pelo fato de lembrar eu saio do prumo. Ou seja: eu que mal tinha achado meu eixo me vejo novamente em total desequilíbrio. É fogo!

Mas umas lembranças legais vêm junto também. Lembro que no “meu tempo de infância” (que cafona, isso!) existia um tobogã na Lagoa, um avião parado no Aterro do Flamengo (onde as crianças podiam entrar e brincar de  ser piloto). Alguém lembra das gaivotas de pano que eram vendidas na praia de Copacabana e ficavam voando ao lado de uns aviõezinhos de isopor? Eu adorava beber Grapete, Crush e Mineirinho nas carrocinhas do Aterro e amava o cachorro-quente da Geneal.

Pois é! Eu vivi nessa época e adorei. Pelo menos isso de bom os 40 me trouxeram de volta!