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jul
14

A pátria dos chutados

 

Ok. O Brasil jogou mal. Muito mal. Pessimamente. Foi goleado em casa. Acordou do sonho. Mas humilhado, não foi.

Só é humilhado aquele que se deixa humilhar.

O leitor – meu amigo – certamente já viu nos filmes: o personagem é perseguido, preso injustamente, mas segue na luta e não baixa a cabeça.

Os brasileiros (não todos, mas muitos) gostam de se rebaixar. Parece haver um prazer masoquista nisto. Complexo de vira-latas. Já dizia Nelson Rodrigues.

A derrota imperdoável não é a de 7 x 1 para a Alemanha. É a derrota dos que desmerecem o Brasil. Dos que disseram que a Copa estava comprada. Dos que reclamam quando vencemos. Reclamam que não houve show, reclamam que o juiz errou, que não houve o pênalti marcado a nosso favor. Reclamam, reclamam. São os mesmos que acham lindo Maradona ter feito um gol com a mão contra a Inglaterra em 86. Que dizem que a Espanha (que venceu uma única e medíocre Copa ganhando os quatro últimos jogos por 1 x 0) revolucionou o futebol.

Só pra constar:  em 54, a Alemanha perdeu por 8 x 3 para a Hungria na primeira fase da Copa. E venceu a Copa. Derrotando a mesmíssima Hungria na final.

Futebol não é a salvação de um país. Nem a perdição de um país.

A Holanda foi derrotada. Novamente. Mas a Holanda é um país derrotado? Nunca. Pois lá vive-se bem, o povo tem o que precisa: escola, segurança, tranqüilidade, vida decente. O orgulho e o amor-próprio dos holandeses não foram construídos em noventa minutos. E nem serão destruídos em noventa minutos.

Futebol é como a vida. Às vezes, vencemos. Às vezes, empatamos. Às vezes, perdemos. Às vezes, somos goleados. Paciência. Ergue-se a cabeça. E bola pra frente.

Pois nas vitórias, conhecemos a alegria!

Mas apenas nas derrotas, podemos encontrar a altivez!

 

 

 

 

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1 Response to “A pátria dos chutados”


  1. 1 Faustino Rodrigues
    julho 16, 2014 às 9:56 am

    Para mim, a derrota para a Alemanha foi simbólica. Isso porque chegar até onde chegou no mundial já foi um milagre. Agora, diante do 7 a 1, todos desejam que aquela bola do Pinilla, do Chile, aos 120 minutos, não tivesse tocado o travessão, mas sim entrado. Teríamos evitado a tragédia. Mas, como tragédia que se encontra o futebol brasileiro – e o Brasil – necessitamos do drama. A bola na trave e a decisão nos pênaltis contra o Chile foi o drama. O Brasil, que fez do futebol uma arte – uma das poucas manifestações vivas claramente ligadas ao povo – ofende a essa arte com a busca inescrupulosa de resultados. O que interessa é ganhar; o resto é besteira. Faz-me parecer que o que interessa é atingir os padrões da educação exigidos pela OCDE, o resto é besteira. Se se escreve o nome, bom. O resto é besteira. Se se compra em 10 vezes porque tem o cartão de crédito, bom. O resto é besteira. Afinal, a movimentação da economia é mais interessante. O problema é que os valores que incutimos nesta “nova” sociedade são exatamente estes – o da importância de ser vitorioso a qualquer custo, superando o rodriguiano complexo de vira-latas. Assim é que explodem valores como os do consumo e quando um grupo de jovens (e olho para os jovens porque creio que eles são os termômetros de um tempo, de uma era) tem como valor unicamente o consumo, manifestando-se através dos rolezinhos, recorremos novamente ao complexo de vira-latas ou coisa parecida. Mas, claro, o que importa para eles é unicamente o resultado. A compra. A satisfação do desejo quase animalesco de comprar na ânsia de não ser mais aquilo de outrora. Em consequência, não atenta para aquilo que talvez faça melhor, e que pode ser visto mais claramente, por exemplo, e voltando nele, no futebol.


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