28
jun
13

A manifestação

Presa, talvez, da desesperança crônica que assola alguns poetas, nunca participei de manifestações.

Mas tudo muda.

E dia 20, enrolado em minha bandeira do Brasil, lá fui eu, com um pequeno grupo de amigos, andando pela Presidente Vargas.

Determinada hora, as moças precisaram ir ao banheiro e entramos numa transversal a procurar. Numa pequena vila de casas havia um bar onde alugavam o banheiro para os manifestantes. Enquanto aguardava minhas companheiras, ouvi uma voz atrás de mim: – Fica parado!

Olhei surpreso e um rapaz disse: – Quero tirar uma foto da sua bandeira.

Abri os braços em asas e comentei com uma senhora que bebia cerveja ao meu lado:

– Linda minha bandeira, não acha?

– Sua não. Nossa bandeira! – rebateu sorrindo.

E, por um instante, a desesperança voou longe.

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2 Responses to “A manifestação”


  1. 1 Julia
    junho 28, 2013 às 4:00 pm

    O poeta também foi sentir o calor e a vibração das ruas? Muito legal! Será que tudo isso vale um novo poema? Quem sabe daí não saia até um “poema concreto”? Eba!


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