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A reforma

Nas últimas semanas, em virtude de uma casa em ruínas que me coube de herança, me vi jogado num turbilhão chamado reforma.

O que, a princípio, parecia um pesadelo, foi aos poucos me transformando. Assim, hoje, me pego discutindo sobre prazos e pedras, cimento e terra, tinta e verniz. E vejo a casa, a minha casa, reconstruir-se aos poucos, cisne renascido das cinzas.

Neste prazer em transformar percebo a essência da arte. Pois que faz o artista senão reformar?

O compositor aplaina as notas, o dançarino dá forma a sons, o pintor rejunta cores, o escultor solidifica imagens, o ator constrói vidas alheias e o poeta enverniza, dá brilho às palavras descascadas pelo desgaste do dia-a-dia prosaico.

No fim das contas artistas são mestres de obra: trabalham com matéria indizível, fundam a viga-mestra do abstrato e levantam os alicerces do impossível no trabalho incessante de transformar realidade em sonho.

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3 Responses to “A reforma”


  1. agosto 23, 2010 às 6:04 pm

    Aí chega o publicitário e demole tudo, transformando a obra erguida nos escombros de um apelo de venda!

  2. 2 Christovam
    agosto 24, 2010 às 5:06 pm

    Amigo, quando terei a oportunidade de ver estes teus escritos num livro?!
    São tão poéticos… Alô, alô, editores de plantão!!

  3. agosto 27, 2010 às 10:44 pm

    E que venham muitas reformas!


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