28
maio
10

deixa a vida me quebrar

Comentário que ouvi na rua: ele é velho, tem os sentimentos “concretados”.

Interessante a língua portuguesa: concretizar é realizar; concretar: endurecer, engessar.

O tempo (sempre ele) nos concretiza e concreta, realiza e enrijece.

A priori, deveríamos ser flexíveis. Mas até que ponto a flexibilidade não nos torna amorfos, sem opinião, mais preocupados em não desagradar do que em sermos nós, atados?

Quando a vida se impõe dura, concreta, (dizem) só restar o jogo de cintura. Flexionar ou abstrair. Mas, como abstrair sem trair,  sem perder a essência do que sentimos, do que pensamos, do que somos?

Melhor deixar a vida me  quebrar e me reconhecer aos pedaços.

 

 

 

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5 Responses to “deixa a vida me quebrar”


  1. maio 28, 2010 às 7:45 pm

    Falou a voz da teimosia rs

  2. junho 4, 2010 às 12:08 am

    Eu sinto muito isso.
    Algumas pessoas até dizem que eu sou intransigente, careta, enfim, que seja!
    Acho que a gente tem que ter convicções.
    Como você disse, ainda que sejam para ser quebradas.
    E nesse mundo onde todo mundo tem obrigação de ser moderno demais, cabeça aberta demais, é bom poder saber que a gente pode sim, ser “concretado”. haha

    Depois de tanto encantamento declarado, falo mais…
    Li seu livro e claro, me apaixonei. Ai achei seu blog, ainda bem.
    Sou a filha da Patrícia, da marmota cultural, que tanto de cobriu de elogios.

    beeijos!

  3. junho 4, 2010 às 6:00 pm

    sopa de letrinhas ou quebra-cabeça feito de pedaços de poeta!
    grande Victor!

    jogo de cintura é não pôr a cintura no jogo.

  4. junho 16, 2010 às 3:10 pm

    Querido Victor !!!
    Sempre que leio um texto seu, me pergunto como pode uma cabeça taõ linda, ser tão concisa nas expressões… Sempre me surpreendo com suas reflexões, não porque nãoas tenha, mas sim pelo poder de expressaõ que elas apresentam .coisas deum poeta concreto, romãntico, direto, observador, crítico implacável, vivenciador do cotidiano, enfim, de um cidadão muito profundo, que não se limita em análises perfunctórias para sair ”dizendo ” coisas por aí… Parabéns migo…Vamos comer uma ‘moqueca’ qualquer dia destes, que o Brasil estiver em campo, para falarmos de jôgo de cintura ? É o momento ideal…ou não ? O vinho vai ser …argentino.

  5. junho 17, 2010 às 4:03 pm

    Querido amigo, já ouvi dizer que a gente envelhece quando não aceita mais mudanças e não usa mais a criatividade. Como sempre, tua crônica é um desafio que nos faz refletir sobre nós mesmos. Um beijão.


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