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A palavra e a língua

Há palavras que  soam bem apenas em determinada língua.  Para estas, não há sinônimo que baste.

Establishment é inglês, os sinônimos em outras línguas enfraquecem a palavra, que tem algo de  nobreza decadente, tradição e arrogância.

Mis-en-scène é francês, é mais que jogo de cena, menos que teatro.

Há casos em que duas línguas se juntam numa só expressão. Adoro falar “fazer forfait”, que é uma ausência inesperada, o não comparecimento a um compromisso previamente marcado.

Com saudade não há quem possa. Todos sabem que saudade é coisa nossa.

Muitas vezes as  palavras fazem forfait comigo, eu compareço e  elas não, elas em brancas nuvens, eu em folhas brancas,  mãos vazias,  morto de saudade.

 É  dura a vida de escritor.

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3 Responses to “A palavra e a língua”


  1. 1 eduardo tornaghi
    março 31, 2010 às 5:33 pm

    Fofo
    lindo e cruelmente verdadeiro

  2. março 31, 2010 às 7:51 pm

    E no mundo corporativo em que somos obrigados a usar palavras sem ter a mínima vontade?Acho que é bem mais duro e cruel. “Feedback” não é melhor que “retorno”, falow up não é melhor que acompanhamento, deadline não é melhor que dta de entrega. Enfim… pelo menos o escritor tem a possibilidade de esoclher a palavra que lhe convém, anão ser que ele sejaum patriota radical.

    bom texto.

  3. 3 Julia
    abril 1, 2010 às 12:38 pm

    Em compensação, quando as palavras não fazem forfait com você, somos brindados com mais um post maravilhoso.
    Lindo! Mais uma vez, adorei.


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