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fev
10

DISSONANTE

Desde pequeno ouço a mesma ladainha: “use a razão, pense no futuro, na estabilidade, seja alguém na vida, ame quem te ama”.

 Para estes, decepção: afinal, nem sempre amo quem me ama, acredito que as pessoas sempre são alguém na vida (independente de faculdade ou nível social), só creio na estabilidade horizontal (a do caixão), uso a emoção a maior parte do tempo e penso (quando penso) muito mais no passado que no futuro. Pois (obviamente) meu passado aumenta a cada dia e é ele quem me (in)define como pessoa.

Também penso na morte diariamente, sem acatar a teoria de que somos mais felizes se nela não pensarmos.

 Não pensar na morte seria como negar meus pais (que já partiram), os amigos que se foram, os amores que acabaram jovens, os jovens que se acabaram de amor. Seria negar a mim mesmo. Coisa que não faço.

 Gosto dos tortos, dos fracos, amo os perdedores, os que amam sem esperar em troca, os tímidos, os bobos, os gagos e as putas. Não à toa, prefiro os sonetos de pé-quebrado. Sou e gosto de ser dissonante.

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5 Responses to “DISSONANTE”


  1. fevereiro 19, 2010 às 1:28 pm

    E eu amo você e cada palavra que escreve, querido amigo!
    Beijos
    Marisa, a imperfeita… (só pra vc me amar! rsrsrs…)

  2. 2 Leila Oli
    fevereiro 19, 2010 às 2:00 pm

    Como sempre, um texto maravilhoso!Penso como vc…saudades de nossos papos!
    Beijos e abraços

    Leila Oli

  3. 3 Denise Costa
    fevereiro 19, 2010 às 5:13 pm

    Victor,
    como sempre um texto seu que surpreende, encanta, mexe, desequilibra ….
    mais uma grata surpresa no meio de uma tarde de trabalho (pós-carnaval, rotineira …) Eu também penso mais no passado do que no futuro (e muitas vezes me critico por isso). No passado estão minhas referênicas e a maior parte da minha vida (amores e pessoas tão queridas que já se foram e que contribuiram tanto para eu ser quem sou). Hoje vivo e amo … amanhã não sei …
    Um grande abraço,
    Denise

  4. 4 Verônica Lopes
    fevereiro 19, 2010 às 11:23 pm

    Querido Victor,

    amar os imperfeitos é mostrar ao mundo que todos nós somos assim. Vivemos buscando uma pseudo- perfeição que nos coloca numa teia sem saída. O que isso gera? Frustrações, perdas, isolamento. Atualmente, a maioria das pessoas estão sofrendo deste mal. Mas o remédio é: olhar para a vida…escrever o que se sente e publicar…experimentar todos os lugares possíveis e conhecer o que nos for permitido, sem que deixemos de nos amar.

    Grande abraço,
    Verônica Lopes.

  5. 5 sandrinha
    fevereiro 20, 2010 às 11:03 am

    Victor
    Parabéns! Excelente !
    Os tortos , os alterados , os equilibristas da vida,
    os poetas como você , os sobreviventes do caos estabelecido…
    Gosto do que escreve pois é sempre a minha voz também !
    DIVINAMENTE MARAVILHOSO: só podia ser você , o mais torto
    dos amigos essencialmente amigo, amante e amado .
    Bj
    Sandrinha


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