09
jan
10

FELIZ ANO NOVO

Há alguns anos o mundo vive  o boom da informática. Desde então, somos constantemente bombardeados: por spams, e-mails indesejados, vírus, cookies, empresas especializadas em construir nosso “perfil”, cartões de crédito que gerenciam nossas compras e nos catalogam em classes, castas, gráficos, números. Recebemos correspondências que só correspondem a interesses de outros e não aos nossos.

De um tempo pra cá sabemos mais da vida pessoal dos artistas que da arte que eles produzem. Fala-se mais sobre as loucuras de Britney e Amy que de suas (delas) música, sobre os affairs de Débora Secco que sobre sua atuação, sobre os filhos adotados de Madonna que sobre suas canções. A intimidade passou a ser o espetáculo. Perdeu-se a linha que separava o público do privado.

E tomem-se reality shows, onde a vida por si só passou a ser pesada, medida, quantificada, manipulada, paga. E como vida não tem preço, estamos sempre mal pagos.

A única lei válida é que temos que aparecer a qualquer custo. Com ou contra nossa vontade seremos, doravante, vigiados por câmeras, seguidos pelo twitter, fotografados em momentos íntimos, gravados quando pensamos estar a sós. Viveremos sob a égide do Grande Irmão, o Big Brother, num eterno 1984, repetitivo e cada vez mais esfomeado.

Para quem ainda tem alguma esperança, feliz 1984. E que as câmeras estejam convosco.

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1 Response to “FELIZ ANO NOVO”


  1. 1 Julia
    janeiro 12, 2010 às 8:45 pm

    Às vezes me acho meio século XIX.
    Não tenho grande simpatia pela informática. Apenas sirvo-me dela no trabalho e em casa para pesquisa, leitura de jornais, blogs interessantes e coisas que acrescentem algo de bom à minha vida, mas é só.
    Nunca tive interesse em estar em redes de relacionamento, em sites de mensagens instantâneas, em que as pessoas se expoem de uma tal maneira que perdem totalmente a privacidade. Até o celular me incomoda. Não acho nada legal poder ser encontrada em qualquer lugar e a qualquer hora, estar sempre disponível.
    Ainda acredito na amizade do olho no olho, conquistada no dia a dia, nas conversas camaradas regadas a café, vinho, comida gostosa e boa música.
    Mas, como já disse, sou meio século XIX e caminho a passos largos para a extinção.
    De qualquer forma, sou otimista. Ainda restam algumas pessoas com o mesmo sentimento e, por isso, desejo um feliz 1810 a elas e, também, aos enebriados pela febre da informática.


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