25
nov
09

A mulher é o pecado

Na Idade Média (também conhecida como Idade das Trevas) era costume: as mulheres que saíam da fôrma, dos “conformes”,  eram taxadas de bruxas ou demônios sedutores e enviadas para a fogueira. Os homens podiam pecar. As mulheres eram o pecado.

Semanas atrás, uma estudante do interior de São Paulo teve que sair da faculdade onde estudava escoltada pela polícia, sob pena de ser linchada. O motivo? Estava usando minissaia. A punição imposta pela diretoria da universidade?  Expulsar a aluna.

Quinhentos anos de evolução não pareceram fazer diferença neste caso. A mulher continua a ser o demônio sedutor que precisa ser destruído para que se garanta a moral e os bons costumes.

Pior que saber que os linchadores eramos colegas de classe  da estudante, foi a  atitude da diretoria que,  com a expulsão, avalizou a barbárie.

A palavra universidade deveria nos remeter a universo, à diversidade cultural,  à expansão do conhecimento e formação de caráter. Deveria. Mas, com estudantes (de)formando-se em instituições desse nível, continuaremos, na média, a ser os mesmos animais que éramos há quinhentos anos.

Anúncios

5 Responses to “A mulher é o pecado”


  1. 1 Elianemelgaço Monteiro de Castro
    novembro 30, 2009 às 8:38 pm

    A mulher é o pecado de todos nós. E o pior é que o preconceito parte da própria mulher. Não acredito que os colegas tenham feito isso de atacarem a moça, se não existisse atrás deste quase linchamento o incentivo de outras mulheres também. Isto porque por mais que tenhamos evoluido na sociedade organizada pelos homens-caçadores de alimentos e até nos tornado força de trabalho na sociedade, estamos ainda atavicamente presas (os)ao conceitos de bem e mal (conceito herdado da religião) e por muitas vezes não sabemos reagir,mormente quando aparece um “espécimen”diferenciado no pedaço.Não li muito deste assunto, porque achei-o pobre e idiota, mas o fato em si, foi de uma brutalidade sem precedentes e a direção desta Faculdade deve sem sombra de dúvidas levar um processo em cima ,isto sim.Parece que a moça em questão vai processar a faculdade, e se ela tiver cabeça, sairá deste lugar,irá para um grande centro, fazer parte do proximo Big Brother, dar entrevista no Faustão, porque no nosso Brasil, certas questões sérias como esta,são levadas sem seriedade,durando poucos dias no jornal.Aqui, infelizmente, os valores estão empilhados de forma desordenada.Faltou um grupo coeso de mulheres ,com opiniaõ definida, atuando neste caso. Porque digo mulheres? Porque sei que os homens sòzinhosnão iriam hostilizar uma moça de minisaia. Para que isto tenha acontecido, foi coisa de mulher…E nisso,tenho certeza de que nós mulheres somos perigosíssimas… um demôniosolto talvez. Tenho medo de mulher.Somos terríveis quando queremos.Leiam Rollo May -Os meios são as mensagens –

  2. dezembro 2, 2009 às 9:19 pm

    Querido amigo,
    Vc continua deitando o verbo e o talento de forma inigualável. Como o mundo seria melhor se todos os homens fossem dotados de sua sensibilidade. Um beijãozão! rssss

  3. dezembro 7, 2009 às 4:03 am

    Victor, não tenho muito o que comentar sobre a intolerância dos estudantes da UNIBAN e a total falta de ética dos seus educadores-diretores…
    Quero apenas lhe dizer que já li e reli o Cabeça, tronco e versos e o achei um belo livro. Alguns poemas me tocaram especialmente como, por exemplo, Náufrago, Sujeito oculto, Moeda de troca e alguns outros. Tive uma comunicação fácil com seus versos, que me puseram a pensar.
    E olha, meu terreno familiar não é a poesia, transito muito mais pela prosa, mas como já disse, por alguma razão sua poética me caiu muito bem.
    Um abraço,
    Isa

  4. 4 Verônica Lopes
    dezembro 15, 2009 às 2:58 am

    Se não ostentassemos as coisas do coração, talvez não fizéssemos parte de um complô de ávidos pelo mesmo tema. Então, coisas do coração não são em forma de oração, em que deva-se prestar contas ou confessar pecados. Coisas do coração são infindas enquanto grandiosas e não se contentam com infernos carnais, prisões que acobertam solidões, ou exércitos de Maria (ver filme – Lua Nova e sua continuação) onde se preconizam falsas justiças, mascaradas pela própria incapacidade das mulheres enxergarem a si próprias – o que já vem ocorrendo há séculos e provocando vários danos a outras mulheres mais conscientes de si mesmas.

    Beijos,
    Verônica.

  5. fevereiro 2, 2010 às 9:23 pm

    Joga pedra na Geni !!!!!!!!!!!!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: