17
nov
09

Ventania

Foi assim: a tempestade de vento começou por volta de 5 da tarde. Todo mundo viu! Na verdade, ninguém viu, pois o vento (assim como o amor) não é visto, o que se vê  são seus efeitos.

Os cabelos desgrenhados das palmeiras, papéis  viajando rumo ao infinito, um (sus)urro constante, abafado, pressentimento claro  na tarde escura. Algo maior prestes a acontecer.

Dessa vez não aconteceu.  Transformou-se em  sonho, promessa, brisa. Mas sei que, um dia, haverá de voltar mais forte e me levar ao meu destino.

Anúncios

4 Responses to “Ventania”


  1. 1 Verônica Lopes
    novembro 22, 2009 às 4:01 am

    Pobre velha música!
    Não sei por que agrado,
    Enche-se de lágrimas
    Meu olhar parado.

    Recordo outro ouvir-te.
    Não sei se te ouvi
    Nessa minha infância
    Que me lembra em ti.

    Com que ânsia tão raiva
    Quero aquele outrora!
    E eu era feliz… Não sei:
    Fui-o outrora agora.

    (Fernando Pessoa)

  2. 2 Verônica Lopes
    novembro 24, 2009 às 12:56 am

    Foi um momento
    O em que pousaste
    Sobre o meu braço,
    Num movimento
    Mais de cansaço
    Que pensamento,
    A tua mão
    E a retiraste.
    Senti ou não…

    Não sei. Mas me lembro
    E sinto ainda
    Qualquer memória
    Fixa e corpórea
    Onde pousaste
    A mão que teve
    Qualquer sentido
    Incompreendido,
    Mas tão de leve!…

    Tudo isto é nada,
    Mas numa estrada
    Como é a vida
    Há muita coisa
    Incompreendida…

    Sei eu se quando
    A tua mão
    Senti pousando
    Sobre o meu braço,
    E um pouco, um pouco,
    No coração,
    Não houve um ritmo
    Novo no espaço…

    Como se tu,
    Sem o querer,
    Em mim tocasses
    Para dizer
    Qualquer mistério,
    Súbito e etéreo,
    Que nem soubesses
    Que tinha ser.

    Assim a brisa
    Nos ramos diz
    Sem o saber
    Uma imprecisa
    Coisa feliz.

    (Fernando Pessoa)

  3. novembro 24, 2009 às 3:31 am

    Isso nao se faz!

    Vc nos deixa sem palavras depois temos que comentar…

  4. 4 Christovam
    dezembro 1, 2009 às 4:15 pm

    O que dizer de um cara que escreve “pois o vento (assim como o amor) não é visto, o que se vê são seus efeitos”? Hein? Alguém, por favor, poderia me responder? Não há resposta melhor do que o silêncio… Silêncio de quem está emocionado diante da beleza.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: