10
nov
09

O papel e a pena

Na novela Roque Santeiro, o personagem Zé das Medalhas, magistralmente vivido pelo saudoso Armando Bógus, era tão obcecado pelas  medalhas de santinhos que vendia (e que acabariam por lhe render a alcunha), que morreu sufocado por milhares delas , no último capítulo da novela.

Eu vivo sufocado por papéis.  Recibos de pagamentos de contas, garantias de produtos e serviços, declarações e documentos antigos, entopem pastas e armários. E na hora de limpar é um drama. O que jogar fora sem colocar em risco a “segurança” que nos dá um simples pedaço de papel?

Porque papel é assinatura, é comprovação. E num mundo onde o que se diz não se escreve, é necessária essa quantidade absurda de papéis. Pois a palavra dada, a tal “palavra de honra” tem cada vez menos valor. Numa disputa jurídica, a sua palavra contra a minha (ou vice-versa) vale pouco ou nada. Valem os documentos,as  assinaturas, os contratos. Mas a palavra em si, não.

Perdemos todos, constantemente receosos de sermos passados para trás, sem perceber que essa falta de confiança na palavra alheia (e tantas vezes nas nossas palavras) é, talvez, a maior das penas.

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