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maio
09

Uma festa junina diferente

Em alguns dias entraremos em junho e começarão as festas juninas.

Quando eu tinha 6 anos comecei a fazer o primário na Escola Roma, em Copacabana, que todos os anos fazia uma enorme festa  junina na Praça do Lido. Fiquei esperando durante semanas a tal festa, onde seria sorteada uma bicicleta, meu sonho de consumo de então.

Finalmente o grande dia chegou. Era início de tarde e eu e meu pai já estávamos na praça, eu encantando com as barraquinhas coloridas de prendas e comidas e com a esperança infantil (toda esperança não é sempre um pouco infantil?) de ganhar a bicicleta.

Pois não haviam-se passado nem 15 minutos quando ouviu-se um burburinho na multidão. A menos de um quarteirão de distância um carro estacionado (sabe-se lá porquê) havia explodido.

Meu pai, que era jornalista, estava com uma Nikon para  me fotografar; me puxou e começou a tirar fotos do carro em chamas. Ao terminar, ajoelhou-se e disse:

– Filho, temos que ir agora para o jornal.

Confesso que fiquei um pouco decepcionado, mas intuindo a importância da situação, concordei sem reclamar. E rumamos para O Globo num táxi.

Naquela tarde, pela primeira vez na vida, entrei na redação de um jornal e aprendi como se revelam as fotografias. Percorri também os largos corredores com as paredes cobertas de capas históricas: O Dia em que o Homem Pisou na Lua, O Assassinato de Kennedy, O Suicídio de Getúlio, A  Conquista do Tri no México, tudo ali, gigantesco, eternizado.

Acabei não ganhando a  tão sonhada bicicleta. Mas a foto de meu pai foi capa d’O Globo no dia seguinte.

E eu soube para sempre que a notícia é mais importante que o homem.

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4 Responses to “Uma festa junina diferente”


  1. maio 30, 2009 às 1:28 am

    “E eu soube para sempre que a notícia é mais importante que o homem”. Sorte a sua ter descoberto isso precocemente.

    Bom, infelizmente não sei explicar por qual motivo não tenho escrito mais poesias. Acho que não estou naquela fase de intensidade apaixonante que geram produções de amor e ódio numa velocidade de dar inveja a maratonista. Exatamente por isso prefiro as poesias do que as crônicas em si. Elas, minhas poesias, me precem mais verdadeiras, por mais parábolas esquisitas – coisa que tento fujo – que elas possam ter.

    Enaunto isso, só me resta enrolar, he,he…

    Abraço!

  2. maio 30, 2009 às 3:01 am

    Victor,

    adorei teu texto e também as poesias que escreveu lá no blog.Ser filho de fotógrafo deve ter sido uma p* experiência pra vc pq esses caras q vivem atrás das lentes realmente enxergam a vida com olhos mto diferente de nós, meros mortais… Que bom que gostou do Moderna Lapa Retrô, fico bastante feliz!! Vou linkar teu blog lá no meu para não perdermos o contato…
    Uma pergunta, por curiosidade: como vc achou meu blog???
    Bjokas e ótimo final de semana!

  3. 3 SONIA VIANA
    junho 3, 2009 às 4:32 am

    Adorei. Como foi boa aquela noticia naquele instante. Vc. pode descobrir como é uma redação e ainda por cima visitar o trabalho do seu pai. Quanta emoção!! E usando sua capacidade neuronal concluiu sobre a importancia da noticia. Sem duvida foi um momento significativo do seu viver e por isso ele reaparece aqui neste blog

    Obrigada por sua presença no sarau de sabado a tarde. Foi una tarde encantada.
    Sonia

  4. junho 8, 2009 às 5:50 pm

    Victor,

    obrigado pelo seu CONTO no QUEM CONTA UM CONTO…

    Forte abraço


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