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maio
09

Metamorfose Ambulante

Musicalmente eu tenho andado na fase “Raul Seixas”.

Passo horas do dia ouvindo seus cds e especialmente “Metamorfose Ambulante”. É uma música genial, que fala da necessidade de mudar, de desdizer, de (se) contradizer o tempo todo. E como toda obra de arte é o que não é falado (o subtexto) que é o mais importante.

“Metamorfose Ambulante” é sobre insatisfação, sobre a vontade de ser “inadaptado”, sobre a  consciência de ser incoerente e a incoerência de ser consciente.

“Respeite as tradições”, “estabilize-se na vida”, “entre no esquema”, “não pise na grama”. Parece que é isto que o mundo politicamente correto nos diz sempre, silenciosamente, insidiosamente, nos transformando naquilo que não queremos ser. E ficamos engessados em empregos ruins, relações inócuas, amores amargurados, fórmulas pré-concebidas,  regras universais.

Quantas vezes eu quero trabalhar num domingo às 7 da manhã, dormir às duas da tarde, ouvir o som da penumbra, embebedar as segundas-feiras, destruir os ícones, me irmanar com os bichos, rir com meus olhos míopes, chorar de desejo, rir de tristeza, repetir o que nunca foi feito e me deixar levar pra longe, pra chegar perto eu não sei nem de quê.

E aí eu escrevo!

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4 Responses to “Metamorfose Ambulante”


  1. 1 sandrinha
    maio 28, 2009 às 1:00 am

    oi meu querido !

    Vc é um gênio !
    Concordo com vc eu sou tudo isso tb !
    beijos no seu coração que eu amo tanto .
    Precisamos de uma metamorfose do Planeta ,
    dos humanos ,
    enquanto isso , vou me virando com seus
    versos e escritos nessas noites de meu Deus…
    Como Raul, como Victor, como nós … beijos

  2. junho 3, 2009 às 7:33 pm

    Em sendo assim instável e indefinidamente indefinido, só o que nos resta é mesmo dizer “eu prefiro ser esta metamorfose ambulante”, apesar de o sermos não por preferência, mas por imposição do mistério de que somos feitos

    Bem-vindo ao clube das metamorfoses ambulantes!!!!

  3. 3 Cristina Terra
    junho 25, 2009 às 2:40 pm

    Caro Victor,
    A verdade pulsa na sabedoria das palavras. Qual ninfas nadamos neste oceano de possibilidades e vamos vivendo os papéis que nos aparecem.
    Porém, Ah porém… Um dia a larva sai, respira o AR e se transforma no ser alado e mágico: ODONATA. Porém, as libélulas sempre voam perto das águas emocionais.
    Fazer o quê?
    ESCREVER.
    BJs

  4. 4 Verônica Lopes
    julho 1, 2009 às 9:25 pm

    Oi, Victor!

    Hoje, na quarta década de vida, compreendo o mundo ainda como uma caixinha de surpresas, onde não prevemos as reações das pessoas que nos envolvem. O ideal é que compreendamos a caixinha de música que existe em nós. E dancemos esta música em todos os lugares em que estivermos, ora em alto volume , ora em baixo volume. E, assim, sigamos a nossa trajetória por muitos anos.

    Beijos,
    Verônica.


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