Uma das coisas que mais me irrita são as frases feitas, aquelas compradas a granel e usadas da pior maneira possível. Estou em plena crise dos 40 (completados em janeiro último) e já cansei de escutar que “a vida começa aos 40″. Começa a quê, caramba? A degringolar? Porque no meu caso (e acho que no de muitos também) eu comecei foi a ter dores de estômago inexplicáveis, os joelhos começaram a doer, apareceram pedras nos rins e por aí vai.
A gente vive numa sociedade que prioriza a juventude como uma das coisas mais importantes e ainda tem que ficar ouvindo isso? Ninguém merece, né!
A mudança de década (dos 29 para os 30 também rolou uma crise) sempre é uma porrada na boca do meu estômago. Aos 30 anos publiquei meu primeiro livro e agora aos 40 estou terminando o segundo e creio que não foi por acaso. A mudança de década na idade me faz repensar e lembrar fatos que mexeram comigo e só pelo fato de lembrar eu saio do prumo. Ou seja: eu que mal tinha achado meu eixo me vejo novamente em total desequilíbrio. É fogo!
Mas umas lembranças legais vêm junto também. Lembro que no “meu tempo de infância” (que cafona, isso!) existia um tobogã na Lagoa, um avião parado no Aterro do Flamengo (onde as crianças podiam entrar e brincar de ser piloto). Alguém lembra das gaivotas de pano que eram vendidas na praia de Copacabana e ficavam voando ao lado de uns aviõezinhos de isopor? Eu adorava beber Grapete, Crush e Mineirinho nas carrocinhas do Aterro e amava o cachorro-quente da Geneal.
Pois é! Eu vivi nessa época e adorei. Pelo menos isso de bom os 40 me trouxeram de volta!