Deve ter sido por causa da noita chuvosa, abafada. De repente, ao passar por Copacabana, caíram as lembranças.
Na minha infância, as noites eram mais longas. As luas eram mais cheias. A vida, uma certeza.
Saía com minha mãe pelas ruas de Copacabana. Andávamos pela praia, sentindo o cheiro doce do mar morrendo na areia.
Íamos a uma lojinha situada nos fundos de uma galeria, onde uma velha francesa vendia bonecas de porcelana que minha mãe admirava e jamais comprou.
Havia uma doceria a três passos do nosso edifício, onde comprávamos um doce cujo nome só descobri anos mais tarde – palmier. Eu, sete anos, pedia para a atendente: – moça, me dá uma borboleta?
E minha mãe ria, deliciada. Deliciosa.
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Hoje eu sei que as borboletas não retornam jamais!
Que beleza de crônica, Victor! Mais que prosa poética, tão viva e tangente a todos os sentidos! Adorei !
Gostei muito. Tocante. Ativou-me em verdade o tempo perdido. Embora: não! Elas hão de voltar! Geralmente o doce mais doce do mais escondido de nossa infância, daquele cantinho inimitável com cheiro único, vem a nós em um rompante – de repente.
Nossa, me deixou lembrar da minha infância no Rio e nos tempos bons que passei com a família e amigos. Obrigada!!!!
Amo borboletas e vc escreve de forma genial, aliás vc é genial!!! Com todo respeito, é claro. Mas, não sei se devo,quem sabe um dia, talvez, você poderia escrever algo sobre os beija flores? Ultimamente tem crescido dentro de mim uma paixão por eles. Pensa com carinho, tá? Ah, e obrigada por partilhar conosco um pouco de você…
Obrigado pelos comentários, Célia. A dica está anotada, claro!