Arquivo de 22 novembro, 2011

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A Borboleta

Deve ter sido por causa da noita chuvosa, abafada.  De repente, ao passar por Copacabana, caíram as lembranças.

Na minha infância, as noites eram mais longas. As luas eram mais cheias. A vida, uma certeza.

Saía com  minha mãe pelas ruas de Copacabana. Andávamos pela praia, sentindo o cheiro doce do mar morrendo na areia.

Íamos a uma lojinha situada nos fundos de uma galeria, onde uma velha francesa vendia bonecas de porcelana que minha mãe admirava e jamais comprou.

Havia uma doceria a três passos do nosso edifício, onde comprávamos um doce cujo nome só descobri anos mais tarde – palmier. Eu, sete anos, pedia para a atendente: – moça, me dá uma borboleta?

E minha mãe ria, deliciada. Deliciosa.

***                  ***                  ***                   ***

Hoje eu sei que as borboletas não retornam jamais!




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