Sempre ouvimos falar: as palavras têm força. Que os digam os líderes religiosos e os autores de livros de auto-ajuda.
Em tempos politicamente corretos trocamos palavras carregadas de preconceito por outras: aleijado passou a ser “cadeirante”; favela, agora, chama-se comunidade; retardado, especial.
Em verdade, mudam-se as palavras, mas não o preconceito. As “comunidades” permanecem indignas, desumanas; os “especiais”, discriminados e os “cadeirantes” alijados do convívio social.
Basta conferir: quantas “comunidades” apresentam condições básicas de sobrevivência? Quantas escolas incluem os “especiais” em seus quadros? Quantos ônibus dão acesso a “cadeirantes”? Aliás, quantas vezes você viu um “cadeirante” subir num ônibus? E, mesmo que subisse, como poderia ele andar por ruas sem rampa.
———– *** ———————- *** ——————- *** ——————– *** ————-
As palavras têm força, sim. E muita. Tanta que, muitas vezes, as usamos para não fazer as mudanças necessárias.