Há quem acredite em vida depois da morte. Para esses, as ações e pensamentos do mundo “carnal” definem a estadia do indivíduo no mundo posterior: inferno, céu ou purgatório.
Outros creem que os atos das vidas passadas influenciam a atual encarnação. É o tal carma, que cada pessoa há de pagar (à vista ou em suaves prestações).
Acredito que a vida é tão grande, tão imensa, que vivemos várias dentro de uma só.
Eu mesmo, muitas vidas atrás, passava as férias em Barão de Javary, onde morava minha avó, que me acordava todos os dias com suco de laranja na cama e as janelas abertas por onde se viam flores multicoloridas. Durante as manhãs perambulava por caminhos tortos que não davam em lugar nenhum (ao contrário dos atalhos tortuosos que hoje me levam a lugares onde não quero ir.) Passeava em volta do lago, cruzando a velha ponte de ripas de madeira, despreocupado e sem esperança, pois não havia o que esperar, não havia espera, a vida era um eterno presente. Sem passado. Sem futuro.
Mas isso foi há muitas vidas, quando eu ainda não sabia.