Madrugada de sábado, pé esquerdo torcido, solitário em casa. Volto ao passado.
Eu e minha mãe crianças, no fim do Leme, vendo a lua cheia se erguer soberana atrás das montanhas, holofote nos céus.
Eu e meu pai adolescentes, andando pela estrada de terra em torno do lago em Barão de Javary, a brisa soprando as flores no rumo de casa.
Minha mãe encantada, falando do maravilhoso filme polonês que havia visto no extinto cinema 1, em Copacabana.
Meu pai vendo corrida de F1 e me apresentando a um queijo amargo e verde, que demorei exatas duas mordidas para me apaixonar.
Ambos, pai e mãe, estranhamente mortos há tantos anos já.
E ainda mais estranhamente vivos, nesta madrugada mais retorcida que meu pé.